Morada

Em uma noite destas, estava quase vazia, e para vencer a tristeza e regularizar a circulação sanguínea, olho para ele com um cigarro entre os dedos e penso que não sei com certeza o que é que me dói.

Tenho instrução suficiente para não ser religiosamente crente. ‘Isso os senhores provavelmente não compreendem.’ Ele estava tão profundamente entranhado em minha consciência que, antes que ele tivesse tempo de se transformar, e eu conseguisse  me  livrar dessas ilusões, nos acarinhamos. Cada um é infeliz à sua maneira.

Deixei crescer as unhas, e em pensamento, nas noites espiando o céu estrelado, cravava-as nas suas costas até arrancar sangue. A fome é urgente – e a boca pediu carne e os dentes obedeceram. Uma tortura seria interessante se eu a explorasse com critério.

— Me preocupei com problemas do espírito. Acordou de sonhos intranquilos, com as maçãs desamparadas diante dos seus olhos. Ele acabou recitando-me versos e me fazendo poesia. Fechei os olhos duas ou quatro vezes, e ouvi, você é que nem eu, fala coisas malucas dormindo.

Fotor0624151644

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