Coágulo

Enquanto eu me deito nos limites de algumas alucinações e as rachaduras que eu considerei no passado ainda coçam as plantas dos pés, eu me pergunto se desperdicei o seu tempo…  Eu percebi que eu não tinha que temer coisas que eu gostava. Não precisava de permissão para esse gostar.

Como eles escaparam de seus olhos, como eu os tirei de sua mente, enquanto eu te deito nos meus frios.

Sim, está frio esta noite e sim, a sensação não é boa, uma espécie estranha em lugar nenhum. Então, gradualmente, algo sai da luz. Existem impulsos, formas semi-vistas, cores, retas, gradeados, contrapontos. Coisas que provavelmente ficaram em mim desde décadas atrás, bem como, mais recentemente. Todas as coisas no mundo passando por você como um filtro

Os ossos, o pescoço, a pele desconfortável.  Sim, a sensação não está correta, então eu vou segurar-me justa e precisa nos meus próprios pulsos. Eu ouço os sons mais estranhos bem abaixo desses buracos no chão. Todo esse tempo, sempre pensei que seria sua mão perto. Mas não vou piscar e sigo uma alma crescida púrpura e azul.

Cada pedrinha daquele barro úmido cheia de noite, em si mesma, forma um mundo. Mas eu encontrei algo em você.

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É assim que eu te soletro

Branco. E tão-somente a ele, o que ele deve saber. Eu queria te dizer no que fiquei pensando para passar a dor. Apenas para fugir e poder alguma excelência. Por mais que tente, todos os dias, nós estamos nos vestindo para sobreviver. Ironicamente, são sintomas de gênios. 

Domingo, às dez, mais um. Nos encontramos na garagem, está na hora de ir embora, leve o que conseguir carregar. Mãos à mostra, você também, palmas para cima. Saber alguma coisa, algum suspiro, isso já adiantaria. Alguma notícia da companhia de gás? Tenho um agora. Com muita água. Eu vou cuidar de você.

Ela também disse que não gostava daquela banda. Ali próximo à mesa, perto da janela. É a pressão do ar, causada pela explosão, e depois, aquele flash amarelo, e eu… Não havia disputa em casa. Não haveria de ter.

Nós podemos ir para casa agora? Nem todos precisam saber alguma coisa.

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Ela dobra a página para trás

Quando te encontrei, um incêndio queimava em uma colina e a lua estava cheia.  Os volumes da fumaça eram rococós, cercadas de anjos vermelhos. Você não sorriu, mas ficou de prontidão, ergueu-se um pouco na cadeira da qual se levantava com algumas dores e um bom bocado de problemas. Talvez quisesse provar-se que ainda lhe restavam energia e agressividade.

Seria útil recolher os restos, os ombros. Com desejo cinza, olha louco seus olhos azuis pedindo paraíso. As árvores negras bloqueiam o caminho. (Seu caminho está em consternação). Canta como em algum mundo de trovão e raio, pedindo para ser banhado em luz para ser exemplificado como desejo.

O mundo está agora enrolado em redes de telecomunicações que transmitem modelos integrados de comportamento social, político e econômico. Grita! Eu fui forçada a olhar para mim e para a minha vida com uma clareza severa e urgente.

As pedras quebraram vários tetos de vidro. Não falar e falar são ambos modos humanos de estar no mundo e a vulnerabilidade da visibilidade impede de quebrar nossos silêncios. Às vezes o medo dorme, mas nunca desaparece. Hoje desejo ser forte, mas não sei como e você ouve meu coração inquieto.

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Sempre esperando que o machado maior caia

Por trás de nossos rostos, não há segredo que governaria nossos atos. A brincadeira e a reinvenção tornam-se impossíveis. O cinismo elimina milhões de pequenas ideias de mudas, de pedaços, de fotografias. Significa que sua resposta automática se tornará o “não”. Deve ser um diabo entre nós a dizer algo sobre o tempo em que eles foram feitos e como estão configurados ou acorrentados.

Unicamente, a série desses atos imaginários e essas impressões erradas.

As séries? Uma vez que a matéria e o espírito, que são continuidades, são negados, uma vez que o espaço também foi negado, estamos ali, todos cheios de ansiedade de que este mundo não é para se sobreviver. Não sei o que é o direito a essa continuidade… o que é o tempo e a alegria de ver com o olho treinado e o desespero de fazê- lo. O céu (da boca) está queimando agora.

Sua própria natureza frágil e precária pode ser jogada e se sentir ainda mais inútil ou vulnerável. Não em qualquer momento, mas agora, não em qualquer lugar, mas aqui.
Ninguém além de mim queimará assim.  Eu acho que muitas pessoas conseguem entrar em alguma lucidez e aí então eles se perguntam por que ficaram loucos.

Eu saí hoje e me comportei como um lunática (soluço) sobre uma terra molhada, um prado, algumas ervas e grades de caverna. O testemunho diz que há algumas pessoas no andar de baixo que se dirigem a todos os lugares e não admiram nada. Mais que nunca, é obrigação usar nossas habilidades para manter este lugar vivo, aqui em cima. Aqui mesmo agora. Eu sou o que realmente vejo para minha própria consciência, os centímetros que meus olhos caem sobre e enquadram. Talvez juntos possamos permanecer nesse sorriso do seu rosto.

Por que diferença, que diferença, que diferença uma pequena diferença faria.

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O imperador

Uma admirável descoberta com algumas poucas palavras sobre o amor ao longo da vida, surgiu como uma âncora da realidade e um contraponto para a certeza. (As certezas).

Estou pensando sobre o tempo esta manhã – sobre como ele se arredia quando intencionamos ao menos triscá-lo. Não me preocupo tanto em ter controle, o que talvez não seja tão divertido, mas ainda sou capaz de se fazer o que se tem para ser feito.

Eu realmente penso muito em emoções, talvez mais sobre comportamentos e reações. Às vezes, isso é bom, mas às vezes não é tão bom, sabe? 

Quando dirijo, sempre fico ansiosa. Há muito no que se pensar além de ficar focada na história dos cruzamentos. Era difícil para ser solta o suficiente e ter que fazer essas coisas sem me perder nessas cenas cotidianas. Difícil separar a parte do cérebro que tinha que ver tudo e a sua invulgarmente fina emoção número oito, ou sua não tão longe emoção sete, cutânea. Sempre empurrando para uma eternidade lenta, através dos arrepios da pele. Para continuar. “Pobre coisa antiga, você deveria estar em uma caixa!”

A cor me afeta. Eu realmente não estou trabalhando com nada além de cor, então tem um impacto emocional e físico em mim.  O meu processo envolve me afastar – é claro, não totalmente, isso não é possível, mas é uma ideia de abraçar a luz do dia, sol a pino. Você sabe quem é John Cage? Um começo de vislumbre de uma (im)potência especial.

Acho que percebi que estou mais em paz do que penso que sou capaz. Talvez alguma abundância na vida que para mim, de certa forma, regenera. Mas a pausa seria apenas temporária. Os sintomas retornariam, ainda desprovidos de uma explicação concreta ou melhor, com explicações concretas demais.

Há gente pulando das janelas para escapar do inferno ardente.

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Estonteada

A única presença humana que conseguia sentir ali, eram os postes que iluminavam um cruzamento. Cenário de fotografia preto e branca.  A parte baixa, deixada sem ser dita, talvez porque é muitas vezes indescritível, é o que a gente quer então…

Que não há um jeito sólido de dar uma resposta constante – somos muitas coisas e muitas pessoas. Em histórias que nos contamos sobre nossos passados ​​privados,  caminhos diferentes de como pudemos viver a nossa personalidade, quem imaginaria eu estar aqui, reduzida a uma esperança tão estapafúrdia…  Mesmo que em nossas vidas regulares estivemos vivendo do outro lado da rua, um do outro, sem o encontro. Quem diria. Pode-se ficar semanas pensando no beijo, quando encontrou a coragem de cruzar a rua, de um pé só, e olhar o céu da noite e os reflexos na água.

Eu olhei e caí, engatei o riso e caí novamente. O Sr. deu uma olhada em mim, e vestiu os óculos escuros, junto com uma óbvia dose de reserva e um pouco de repulsa. Ele negou isso no nosso dia de morte, mas era verdade. E as mudanças que sofremos, maravilhosas e terríveis, são surpreendentes, embora inúteis. Os movimentos vitais e transformadores que não poderiam ser previstos – escorregões e dores nas articulações (porque não se consegue  se manter muito lúcida e bem humorada em estado de dor). É também um tempo de pesadelo.

Vemos que também sou vulnerável ​​ao infortúnio, que não sou diferente das pessoas cujo destino estou assistindo e, portanto, tenho motivos para ter medo de uma inversão similar.

Não é maravilhoso o modo como o mundo nos mantém graves e inesperadamente despertos?

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Vidas não vividas

Depois de algumas noites agitadas, um esboço de agonia nos ombros e ardor nos olhos. Quase sem ar de manhã, mas fingia que não. Pois que as luzinhas estavam acesas e avisavam. Olha com novos olhos para o mundo, e tudo o que quer é um trago… na bolsa de mão que segura traz um pouco de vírgula, talvez um hífen.

Toda vez que se morre é inevitável e íntimo. Encontre então um lugar de descanso no meio das coisas. Diante de uma de suas imagens gotejantes, fumando um cigarro e usando uma careta desafiante quando tenta encarar líquidos, as possibilidades de linguagem e forma ainda povoam seus pensamentos. O que poderia mudar para sempre os caminhos que se seguiriam? Desandou…  Essa não é uma resposta. Não há nenhuma resposta.

Eu sabia que as estrelas só podiam ficar mais brilhantes e nos aproximaríamos mais, se houvesse tempo. Talvez sem estar ao mesmo tempo marcado a fogo pela mais indiscutível insanidade: a de não poder lutar contra esse velho reflexo de colher frutos de atitudes nossas, uma espécie de colheita maldita.

Você estava certo quando dizia que me faltava coragem. Não precisava me defender tanto das pessoas.  A ideia de representação pode ir para um novo grau através de um respingar não descritivo. Pode começar no braço, perna, olho. Mas e a tal falta de ar? (Suspira).

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