É melhor sem medo de qualquer maneira

Quais as novidades desde quarta?

Nada de especial. Caminhos para tentar encontrar algo novo… Eu não sei. É bom escrever cercada por música e bons livros, e com uma xícara de café forte à mão. À medida que o dia continua, torna-se cada vez mais difícil prestar atenção a qualquer outra coisa. Eu tento estar presente para as pessoas que mais me importam.

Grande parte do trabalho é no cotidiano. Tudo em você traz uma vida intensa e você, diretamente ou não, dá muita importância ao poder da lógica e então, por alguns segundos, é invadido por uma estranha sensação de triunfo com o coração partido. Sem lutas, justamente por ter voltado a viver. Tanto acontece no interior – na mente – que mesmo os dias mais comuns muitas vezes se sente selvagem. Quando um pôr do sol funciona, o familiar torna-se estranho de novo e a vida é revelada em toda a sua estranheza inarticulável.

Inarticulável. Desejante.

Nenhuma questão fora afrontada de um jeito elegante, e escapar desse impasse foi um movimento impulsivo para ganhar tempo para pensar. Ou será preciso dizer as coisas de outro modo? Um mestre favorito meu costumava dizer que anseia a estranheza dos outros. Anseio a estranheza doméstica, interna. A vida está confusa e quem sabe o que está por perto. Mas, em muitos aspectos, a incerteza pode ser estimulante, mente em movimento e não em repouso.

Seria uma pena enxergar o nosso fragmento de tempo neste planeta-poeira-cósmica com medo. O fluxo para se conectar com outras pessoas através do idioma é forte, mas a vida é solitária, muito solitária e a poesia com cores fornece algum descanso.

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Eu ainda estou esperando que isso apareça na cabeça de alguém

Melhor. Em última análise, todos estão agindo fora do que sentem. Todas as longas linhas vermelhas que cruzam a visão à noite, toda fumaça que esmaece os olhos flui para seus sonhos. Parecem um grande mar azul aberto que não pode ser vencido. Deuses inexistentes e distantes com seus sinais desbotados, aparecem nas extremidades. De todas aquelas luzes piscando você terá que escolher uma noite para si. Todas essas extremidades sem fim, que não podem ser amarradas, me fazem chorar.

Até caírem como moscas, os sentidos das confissões afundam como pedras polidas. Para mim, é uma distinção: se concentrar na forma como as coisas funcionam lindamente, ou na forma como as coisas funcionam miseravelmente. Voltear a vida continuando além do final de uma história. É esperançoso, positivoAlém disso, minhas histórias tendem a levar as pessoas do isolamento à comunidade.

As pessoas competem quando conversam e a exaustão do processo esmorece as vontades. Areia. Com pelo menos uma outra pessoa – para que eu seja aceita de volta por um mundo do qual fugi, perco o limite.  Quer suas contribuições se baseiem na contribuição anterior, quer se baseiem na auto construção individual, o outro é tragado. O que às vezes é algo da minha própria vida é instantaneamente eclipsado por uma versão quase idêntica, mas mais extrema, da vida de outra pessoa.

Essas coisas acontecem a todos. Você está fora disso, e de certa forma, você está fora de si mesmo. Mas há um cansaço. Há uma vontade de não pertencimento a esse jogo. Há uma vontade de existência sem a necessidade de se jogar. Seja o que for. Há uma vontade de calma, de sossego, de respiro.

De vermelhos.

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Eu não choro fácil

O lugar que conhecemos, protegido e quente, perfeito na tempestade perfeita. Porque as tempestades são imprevisíveis. Exatamente, então é por isso que não queria perder tempo lutando contra, disse. Os riscos são muito importantes para mim e por certo quem irá sofrer as consequências é quem levanta o não, o basta. Mas eu sou apenas eu mesma. Quero que a pessoa na minha frente saiba que eu sou apenas humana (e que tenho medo de muitos enfrentamentos). E isso vem com confiança, acredite ou não. É a única coisa que irá, quem sabe, fazer a diferença, definir tal diferença.

Estarei completamente obsoleta se eu não correr riscos. E essa não é apenas minha vida, é nossa, pois eu sou duas.  Na escrita, na música, na madrugada febril, você se deve.  As fórmulas e ladainhas (justificadas, isso é pertinente) envelhecem depois de um tempo e as pessoas começam a vê-la através disso. E sua covardia, aquela que te traga, aparece. Mas também deu às pessoas essa imagem como “aqui vem a luz do sol, que é boa em guerrear!” Ahn, que eu simplesmente vou, “humm, não”.

Espero que algo especial saia disso – mas essa ideia também sugere uma natureza que não me é encarnada e que passear por minha pele nesse estado, na minha cabeça é algo dramático. Tudo marcado para os próximos dias e desejo me convencer do óbvio, do correto, do luminoso. Que algo está acontecendo posso dizer e que os passos que levaram aos meus desenhos e articulações acabados são muito pouco espetaculares.

De início obedece ao destino sem o saber. A partir do momento em que sabe, sua tragédia principia. 

E uma vez que você percebe isso, a vida se torna um pouco mais fácil ou mais difícil. Mas especialmente diferente se você se reconhece, ao falar com outras pessoas, por exemplo, que você não é a única. O que faz sentido sobre esse pensamento é que você tem uma determinada função de uma ação coletiva. 

Quando você faz o tempo suficiente, por um tempo suficiente, você quer manter-se aberta. Se fechar tem sido desconfortável, pois a casca não é grossa o bastante e a vulnerabilidade é importante. 

Há pássaros na tempestade  e vou simplesmente colocar o meu melhor para fora e segure, segure, segure. Aperte. Divirta-se. Você vai pousar em algum lugar e você também terá que se mudar de lá. Eu também gostei do alto.

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Mantimentos

Queria acompanhar aquela pessoa, levaria cantis e sacolas com frutas. Esperaria o sono para anular mais algumas horas de espera. A noite era fria e acobertar-se era o que se devia pensar.

O rosto pálido e ainda tenso transparecia em sua expressão o fim de uma luta que teria ocorrido em sua vida faz tempo. Surgia daí hipóteses, vontades, metas. Talvez você se comprometa a comer alimentos orgânicos cultivados localmente, ou talvez você comece uma nova prática do ‘como você pode encontrar e manter seu centro’ – disse.  Não posso deixar de pensar imediatamente em várias experiências que se poderia ter a partir daí. Mas já que está fazendo sua própria coisa, você está em sua própria aventura, você está em sua própria missão. É quando eu realmente sinto que começo a entrar em algumas situações boas, agradáveis ​​e não-perigosas, assim quando em determinado momento da noite se levanta e começa a perceber movimentos difusos ao seu redor. Se tinha esperança naquela tarde era a de que finalmente o caminho se abriria. Então o que impediria? Vou ter que me sentar na cadeira de um analista para essa resposta. 

Eu sei ele teve uma abordagem muito criativa para a vida. Ele não era convencional e isso me ajudou muito bem. Tento não me surpreender com os personagens loucos com quem se a gente costuma se envolver nesta vida. Seu lema era: ofereça os poucos alimentos que dispõe. Ajuda mútua. Não importa se você bagunça; pelo menos você está tentando algo diferente. Alguma desistência que fosse feita no escuro incomodaria naquelas circunstâncias. Precisamos de todos, insistia.

A noite não foi ruim, estava o ar frio, muitas estrelas, um quarto de lua, uma vontade de encolher-se enquanto esperava pelo pálido do céu quando amanhece.

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Polaridade

Acordou hoje de manhã para descobrir uma miçanga perdida em um dos cantos do quarto, acordou hoje de manhã precipitada e desvairada. Inerente a todas as coisas, o filme-carta passou diante dos seus olhos. Em face do desconhecido e do horror do dia a dia que terá de lidar, jornadas frutíferas, trocas valiosas e ajudas espontâneas fazem o brilho dos dias. O objetivo todo deveria ser reconhecer e satisfazer a natureza sonhadora da existência, qualquer que seja ela. Há mais resolução, mais brilho, uma clareza, uma sensação, uma dimensão.

Confiante naquilo que descobriu na solidão de um não-sono, quis se envolver com o pós-amanhecer com alegrias e águas. Eu cresci católica e minha mãe permanece até hoje realmente motivada por essa religião. A crença nas multidimensões é apenas um formato, um outro formato, não um questionamento. Porque eu acho que há um peso para o processo de pensamento religioso, uma espécie de peso emocional. Como você se sente sendo sozinha? Como você se sente sendo repetidamente substituída? Eu trago pra você pequenas explosões, ouviu ao longe.

Eu não vou chamar de profundidade o que implicaria em monte de outras coisas, mas certamente há uma espécie de amarras sobre isso. Como quando você não é necessariamente destinado a se divertir muito nesse mundo, enquanto os dramas estavam em preto e branco. Não mais mitificar e oferecer respostas. O que é mais perigoso é quando construímos uma mitologia qualquer para dar respostas e ditar o significado e a existência, e então oferecemos essas imagens como precisas para mitigar todo aquele pavor que sentimos. Parece que em nossa cultura o objetivo é nos fazer sentir mais aterrorizados e menos confiantes.

E, claro, com dois olhos, você pode simplesmente assistir ao mesmo filme de forma diferente.

 

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Eu vejo os olhos que viram o rei

Eu não conseguia entender porque você nunca sorri, agora sei e sentirei falta até disso. Terá que ter paciência e o que lhe falta haverá de ter outro sentido. Pegue algumas moedas, se barbeie e vamos cuidar dos seus cachos. Brancos, já escapulindo pra fora do chapéu, fazendo voltinhas e combinando com algumas risadas. O alívio veio depois da primeira etapa e ter ocorrido tudo tão simplesmente trouxe alguma alegria. Alguns procedimentos são tão tristes, frios. Nunca se sorri. Eu nu. Você pode ter em mente o que deve ser feito e pode ter a confiança de assim torná-lo visível. Pois que percebo que é muito mais sobre se estar em confiança e que se pode chorar muito mais pelas coisas belas do que pelas escolhas de dor. Escolhas e ações vão nos tornando quem somos e certamente confirmando quem somos.

E eu sinto que principalmente disse sim às coisas que eram importantes. O corpo é náusea até agora, depois de dias. Vertigem, enjoo. Corpo resposta. Existem diferentes camadas dentro de você que se pode explorar. De libertação, dos sentidos e algumas memórias. Ruas, curvas, praça. Tudo tão diferente, o tempo e a água modificam as vidas. Respira fundo pra mim? Se lembra quando tinha um kichute? Lembra daquele grupo escolar? Lá se cantava o hino e balançava uma bandeirinha do brasil de papel. O uniforme é a melhor memória.

Ninguém acorda pensando, o meu mundo vai explodir hoje. Mas, às vezes, acontece.

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(a)mares

Eu esqueci como você fala, eu esqueci como falar com você.  Suas mãos no meu bolso me aquecem como o sol do verão ou o calor do fogão. E eu me lembro de ter tido meu primeiro dia inditoso até então e tudo o que se quer é dirigir até que saia da cidade. Estou tão cansada de ser, não tente me abraçar agora, ergo. Suponho o que você diria, suponho o que você ouviu. Diálogos inventados, ensinados. Vou-me agora a tentar encontrar aquilo de que não preciso, logo eu, que nunca gostei de ser ensinada…

Serenidade e paz serão o modo de vida diária. Aprendeu as habilidades ao longo do caminho para construir seu próprio ninho no alto do penhasco e no que intui ser seu auge e a última parte de sua vida, renunciará à abundância e ao conforto. Mexe em seus próprios cabelos (auto-carinho) e lembra que pode ainda amar costurando suas próprias meias.

Sua memória está reservada, em todos os (a)mares. Pode parecer um evento importante no momento, devido à intensidade e à forma como o faz se sentir segurando um copo com um peixe pulando. Na mão esquerda segura um conjunto de escalas para equilibrar-se, assistência e resistência.

Eles estão se olhando muito carinhosamente. E se olharão mais.

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