Uma calmaria era prevista para o início da semana. Sei que não é fácil viver disso, e ainda era domingo, ventava e ardia o peito. Eu queria correr atrás daquela luz que cegava porque aqui estava seco e escuro. Tem uma montanha enorme ali vamos tirar uma foto para não esquecer?

Aquela nuvem parece fumaça e a janela que está aberta dá para o jardim. Essa condição de abandono nunca nos deixa, o peito dói. O céu nublado é um grande discurso. Sobretudo o desamparo. Um sofrimento só.

A onde a gente pode buscar a origem da nossa dor? Uma orfandade que nos atravessa e você tem sorte se você não se lembra de nada. Pode ser um detalhe, mas é interessante perceber que o social não é automático, mesmo que ignore a própria prisão.

Porque não é nada, mas a pele parece que vai esfarelar de tão seca. O nariz todo machucado, uma desesperança de um eterno domingo sem fim. Já pensa em não trabalhar amanhã de manhã e em como continuar na ponta dos pés para respirar um pouco melhor.

Porque tem dia que a noite é foda e o que temos conseguido é tentar dormir e ligar alguns pontos que façam sentido.

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