Re-sentir

Deixe o colete ser real, e o casaco grosseiro. Deixe o pão ser duro e cheio de bolor.  E ela o levou para ficar na frente do papel de parede, tirou sua câmera de 35mm e disparou algumas vezes. Respeite tudo isso por três ou quatro dias por vez, às vezes por mais, para que seja um teste a si mesmo. Fique séria e construa uma imagem prudente de si. Talvez seu corpo fique seguro.  Então, asseguro-lhe, meu querido, você saltará de alegria como quando de barriga cheia.

Para mim, a relevância está na capacidade de expressar através do trabalho por que ele precisa existir aqui agora. Algum bom trabalho antiquado e esforço prático para sua rotina e estrutura diária. Tem que haver uma necessidade absoluta e nem sempre acontece dessa maneira. Os códigos de acesso de quase todas as zonas pareciam estar ali, na sua frente. Amanhã de manhã, a não ser que estivesse planejando umas férias…

Você precisa se coreografar, como dançarina de cabaret faz, em certo sentido, você deve desenvolver seu material interno bruto. Penso que se você tem uma inclinação para uma vida dançada – não uma carreira de dança, mas uma vida dançada – como você percebe o movimento talvez seja exacerbado, entende? Acaba que estamos um pouco mais inclinados a sentir uma intensidade quando envolvemos qualquer tipo de paixão.

Alguma coisa deu errada, a crença, que achou ser uma peça interna, explodiu numa espécie de terremoto. E segue planejando-se à moda antiga depois disso.

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Mas não se esqueça de olhar

Há amor, respeito, igualdade e unidade aqui. A voz ficava dentro de nós: I’m broken.

Não há nada a dizer. Muitas vezes, durante alguma meditação os pensamentos que insistem são inteiramente banais – o freio de uma calçada da infância, luz de cinco e meia da tarde caindo em um prédio familiar, um buraco na parede, um arame esquecido amarrado no poste – mas em sua aparente forma banal,  intimam a existência do eu anterior que habitara esses momentos. Um eu que parece tão pouco estranho e mesmo assim tão remoto. Ainda um para o qual estou sempre atrapalhada por essa lembrança meio consciente. Ele trabalha em isolamento – não como uma punição, mas para que ele possa se concentrar no que precisa ser feito.

Acreditava que grande parte daquela estrutura, ainda que invisível, era imutável. Com uma taça nas mãos, circulei pelo ambiente à procura de micro paisagens. E que de pé, sua mão e sua boca entreabrissem e basta-lhe fechar os olhos para desejar salivas. Exige integridade e previsão por você, que poderia te paralisar, é claro; mas se a questão não mora na mente, então é simplesmente condenada à eterna juventude, que é sinônimo de corrupção. Inspira uma nova estética da ciência lírica.

A memória, de fato, é  A memória. Está bem aqui, aponta a testa bem no meio dos olhos com o dedo indicador, na cabeça, mas pode sair, abandonar, deixá-la para trás, desaparecer. Que qualquer coisa – absolutamente qualquer coisa – poderia acontecer, e você pode garantir que algo aconteça. Memória, um santuário de infinita paciência.

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Brecha

A gente costumava colocar uma vassoura atrás da porta da cozinha com o pelo pra cima, para visita ir embora rápido. 

Alguns viajaram para terras distantes, enquanto outros ficaram em casa. Alguns instrumentos acondicionados, algum mantimento. Para outros O assunto era sobre a largura da vida, desde as alturas do céu e as profundezas do inferno até mistérios amorosos, entendimentos sagrados e admiração mútua transcendente. Esses, intencional ou involuntariamente, como o sol da manhã brilhando através de vitrais, se iluminam.

Às vezes, posso andar por quilômetros imaginando meus pés através da água e do fogo. Um sentimento bonito, e quando eu lembro de você se movendo seus braços no ar, como que fazendo desenhos invisíveis, eu não consigo pensar em linha reta. E estou silenciada no momento. Eu acho que é como uma coisa impregnada na pele. Se soubesse o extraordinário que é,  equilíbrio de confiança e vulnerabilidade que a ação pede…  Eu venho de uma época em que: ‘Tudo pode desmoronar agora, amanhã’. 

Se acumulam os buracos que uma goteira provoca no piso. Estamos apenas preocupados quando tudo vai desmoronar, mas na verdade eu acho, bem, talvez não seja o bastante. Por um longo tempo, talvez eu tenha feito esse pouco.
Venha tocar o ar com seus dedos, e por favor, troque as atmosferas aqui.
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Pode ser realmente saudável ouvir não, às vezes

Eu acho que você sabe quando está jogando com segurança, quando está estagnando e quando está crescendo. Pra quem se dar e a vida a sonhar. Provavelmente é uma coisa constante – e um equilíbrio complicado.

Ninguém percebe uma presença tão pequena… ainda que esteja aqui na neve, nas brancas e frias ideias. Talvez não ultrapassar alguns limites seja bom ou correrá o risco de ignorar momentos férteis, que podem chegar em momentos  de humor ou crescer em alguns arranjos propositais. Provavelmente tendem a escrever melodias cada vez mais difíceis para se cantar.

Eu me tornei, o que é um sentimento interessante quando você envelhece e você percebe que não há ninguém que você possa apontar e abraçar resignada. Você realmente se tornou alguma pessoa vivendo em um mundo de abstração racionalizada que tem pouca relação ou harmonia com os grandes ritmos meio que mágicos da vida. Tente lidar com essa espécie de derrota – disse. 

Existe uma contradição em querer estar perfeitamente seguro em um universo cuja natureza é a momentaneidade e a fluidez.

Reter a respiração é perder o fôlego.

 

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Mesmo assim, alguma coisa estava acontecendo lá fora.

Elas estão cientes de todas as malditas coisas.

Uma mulher que estava distanciada do corpo, da beleza, da própria vida sentia que o clima do verão era um desconforto extremo. Apenas aquele sentimento geral de não-justiça. As pessoas estavam inseguras e infelizes. E assim estariam ainda por um tempo. Não parece justo.

Eles se encontraram na frente de um prédio e olharam um para o outro e sacudiram a cabeça enquanto digitavam: cheguei/eu tb e se aproximaram num abraço. Olha, não consigo me sentir conectado à humanidade o tempo todo, disse baixinho. É um prazer raro. Eles fizeram ou disseram algo excelente e amoroso. O horrível perturba o excelente encontro; não podemos assistir ou ouvir ou ler o excelente sem lembrar do horrível.

Mas segure-se por um minutinho: quem é esse “nós” que sempre está acontecendo de alguma maneira? Nós somos um escape. Nós somos baratos. Nós somos corruptos. Somos criativos.  Mas para deixar seu foco inteiro, seus músculos se apertarem ao ritmo do mundo ao seu redor, sua respiração acelerar tanto que combina com a velocidade ultramoderna de uma droga percorrendo sua corrente sanguínea, sem trema, precisamos do afeto.

Ironicamente, os tempos são mais rápidos do que se poderia imaginar. A chave para diminuir a velocidade pode não ser a eliminação da velocidade, mas aceitar a desordem.

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É assim que eu te soletro

Branco. E tão-somente a ele, o que ele deve saber. Eu queria te dizer no que fiquei pensando para passar a dor. Apenas para fugir e poder alguma excelência. Por mais que tente, todos os dias, nós estamos nos vestindo para sobreviver. Ironicamente, são sintomas de gênios. 

Domingo, às dez, mais um. Nos encontramos na garagem, está na hora de ir embora, leve o que conseguir carregar. Mãos à mostra, você também, palmas para cima. Saber alguma coisa, algum suspiro, isso já adiantaria. Alguma notícia da companhia de gás? Tenho um agora. Com muita água. Eu vou cuidar de você.

Ela também disse que não gostava daquela banda. Ali próximo à mesa, perto da janela. É a pressão do ar, causada pela explosão, e depois, aquele flash amarelo, e eu… Não havia disputa em casa. Não haveria de ter.

Nós podemos ir para casa agora? Nem todos precisam saber alguma coisa.

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Ela dobra a página para trás

Quando te encontrei, um incêndio queimava em uma colina e a lua estava cheia.  Os volumes da fumaça eram rococós, cercadas de anjos vermelhos. Você não sorriu, mas ficou de prontidão, ergueu-se um pouco na cadeira da qual se levantava com algumas dores e um bom bocado de problemas. Talvez quisesse provar-se que ainda lhe restavam energia e agressividade.

Seria útil recolher os restos, os ombros. Com desejo cinza, olha louco seus olhos azuis pedindo paraíso. As árvores negras bloqueiam o caminho. (Seu caminho está em consternação). Canta como em algum mundo de trovão e raio, pedindo para ser banhado em luz para ser exemplificado como desejo.

O mundo está agora enrolado em redes de telecomunicações que transmitem modelos integrados de comportamento social, político e econômico. Grita! Eu fui forçada a olhar para mim e para a minha vida com uma clareza severa e urgente.

As pedras quebraram vários tetos de vidro. Não falar e falar são ambos modos humanos de estar no mundo e a vulnerabilidade da visibilidade impede de quebrar nossos silêncios. Às vezes o medo dorme, mas nunca desaparece. Hoje desejo ser forte, mas não sei como e você ouve meu coração inquieto.

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Sempre esperando que o machado maior caia

Por trás de nossos rostos, não há segredo que governaria nossos atos. A brincadeira e a reinvenção tornam-se impossíveis. O cinismo elimina milhões de pequenas ideias de mudas, de pedaços, de fotografias. Significa que sua resposta automática se tornará o “não”. Deve ser um diabo entre nós a dizer algo sobre o tempo em que eles foram feitos e como estão configurados ou acorrentados.

Unicamente, a série desses atos imaginários e essas impressões erradas.

As séries? Uma vez que a matéria e o espírito, que são continuidades, são negados, uma vez que o espaço também foi negado, estamos ali, todos cheios de ansiedade de que este mundo não é para se sobreviver. Não sei o que é o direito a essa continuidade… o que é o tempo e a alegria de ver com o olho treinado e o desespero de fazê- lo. O céu (da boca) está queimando agora.

Sua própria natureza frágil e precária pode ser jogada e se sentir ainda mais inútil ou vulnerável. Não em qualquer momento, mas agora, não em qualquer lugar, mas aqui.
Ninguém além de mim queimará assim.  Eu acho que muitas pessoas conseguem entrar em alguma lucidez e aí então eles se perguntam por que ficaram loucos.

Eu saí hoje e me comportei como um lunática (soluço) sobre uma terra molhada, um prado, algumas ervas e grades de caverna. O testemunho diz que há algumas pessoas no andar de baixo que se dirigem a todos os lugares e não admiram nada. Mais que nunca, é obrigação usar nossas habilidades para manter este lugar vivo, aqui em cima. Aqui mesmo agora. Eu sou o que realmente vejo para minha própria consciência, os centímetros que meus olhos caem sobre e enquadram. Talvez juntos possamos permanecer nesse sorriso do seu rosto.

Por que diferença, que diferença, que diferença uma pequena diferença faria.

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O imperador

Uma admirável descoberta com algumas poucas palavras sobre o amor ao longo da vida, surgiu como uma âncora da realidade e um contraponto para a certeza. (As certezas).

Estou pensando sobre o tempo esta manhã – sobre como ele se arredia quando intencionamos ao menos triscá-lo. Não me preocupo tanto em ter controle, o que talvez não seja tão divertido, mas ainda sou capaz de se fazer o que se tem para ser feito.

Eu realmente penso muito em emoções, talvez mais sobre comportamentos e reações. Às vezes, isso é bom, mas às vezes não é tão bom, sabe? 

Quando dirijo, sempre fico ansiosa. Há muito no que se pensar além de ficar focada na história dos cruzamentos. Era difícil para ser solta o suficiente e ter que fazer essas coisas sem me perder nessas cenas cotidianas. Difícil separar a parte do cérebro que tinha que ver tudo e a sua invulgarmente fina emoção número oito, ou sua não tão longe emoção sete, cutânea. Sempre empurrando para uma eternidade lenta, através dos arrepios da pele. Para continuar. “Pobre coisa antiga, você deveria estar em uma caixa!”

A cor me afeta. Eu realmente não estou trabalhando com nada além de cor, então tem um impacto emocional e físico em mim.  O meu processo envolve me afastar – é claro, não totalmente, isso não é possível, mas é uma ideia de abraçar a luz do dia, sol a pino. Você sabe quem é John Cage? Um começo de vislumbre de uma (im)potência especial.

Acho que percebi que estou mais em paz do que penso que sou capaz. Talvez alguma abundância na vida que para mim, de certa forma, regenera. Mas a pausa seria apenas temporária. Os sintomas retornariam, ainda desprovidos de uma explicação concreta ou melhor, com explicações concretas demais.

Há gente pulando das janelas para escapar do inferno ardente.

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Estonteada

A única presença humana que conseguia sentir ali, eram os postes que iluminavam um cruzamento. Cenário de fotografia preto e branca.  A parte baixa, deixada sem ser dita, talvez porque é muitas vezes indescritível, é o que a gente quer então…

Que não há um jeito sólido de dar uma resposta constante – somos muitas coisas e muitas pessoas. Em histórias que nos contamos sobre nossos passados ​​privados,  caminhos diferentes de como pudemos viver a nossa personalidade, quem imaginaria eu estar aqui, reduzida a uma esperança tão estapafúrdia…  Mesmo que em nossas vidas regulares estivemos vivendo do outro lado da rua, um do outro, sem o encontro. Quem diria. Pode-se ficar semanas pensando no beijo, quando encontrou a coragem de cruzar a rua, de um pé só, e olhar o céu da noite e os reflexos na água.

Eu olhei e caí, engatei o riso e caí novamente. O Sr. deu uma olhada em mim, e vestiu os óculos escuros, junto com uma óbvia dose de reserva e um pouco de repulsa. Ele negou isso no nosso dia de morte, mas era verdade. E as mudanças que sofremos, maravilhosas e terríveis, são surpreendentes, embora inúteis. Os movimentos vitais e transformadores que não poderiam ser previstos – escorregões e dores nas articulações (porque não se consegue  se manter muito lúcida e bem humorada em estado de dor). É também um tempo de pesadelo.

Vemos que também sou vulnerável ​​ao infortúnio, que não sou diferente das pessoas cujo destino estou assistindo e, portanto, tenho motivos para ter medo de uma inversão similar.

Não é maravilhoso o modo como o mundo nos mantém graves e inesperadamente despertos?

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Vidas não vividas

Depois de algumas noites agitadas, um esboço de agonia nos ombros e ardor nos olhos. Quase sem ar de manhã, mas fingia que não. Pois que as luzinhas estavam acesas e avisavam. Olha com novos olhos para o mundo, e tudo o que quer é um trago… na bolsa de mão que segura traz um pouco de vírgula, talvez um hífen.

Toda vez que se morre é inevitável e íntimo. Encontre então um lugar de descanso no meio das coisas. Diante de uma de suas imagens gotejantes, fumando um cigarro e usando uma careta desafiante quando tenta encarar líquidos, as possibilidades de linguagem e forma ainda povoam seus pensamentos. O que poderia mudar para sempre os caminhos que se seguiriam? Desandou…  Essa não é uma resposta. Não há nenhuma resposta.

Eu sabia que as estrelas só podiam ficar mais brilhantes e nos aproximaríamos mais, se houvesse tempo. Talvez sem estar ao mesmo tempo marcado a fogo pela mais indiscutível insanidade: a de não poder lutar contra esse velho reflexo de colher frutos de atitudes nossas, uma espécie de colheita maldita.

Você estava certo quando dizia que me faltava coragem. Não precisava me defender tanto das pessoas.  A ideia de representação pode ir para um novo grau através de um respingar não descritivo. Pode começar no braço, perna, olho. Mas e a tal falta de ar? (Suspira).

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Como começar o dia

Um pouco de carne, um pouco de respiração, um pouco de água.

Me faz envelhecer antes de ser velha, esse caminhar pra dentro, corações quebrados (ainda que gentilmente). O que é essa sensação? Uma brisa; não é nem o mesmo vento, dado que a cada momento é fumegado e transpirado novamente. Eu tenho grandes expectativas, como todos nós, pois se tem que controlar completamente cada pequeno detalhe, bem como toda a história do início ao fim.

É preciso assegurar-se da nova pele, dos novos sulcos, dos novos nós. Novos calos, calem-se. Calemo-nos nos pés. Na preparação, você pode explorar tanto quanto você quiser e você pode ter tantas perguntas a fazer e decisões para descobrir.

Mas a poesia é utilitária!  Essa não é uma resposta. Não há nenhuma resposta. Há quanto tempo não houve resposta? Enquanto eu me lembro.

Eles se amam carinhosamente.

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Ressoa

Estamos caminhando pela cidade, nós andamos como fantasmas negras. Como se repara uma parte da louça quebrada? Você não conseguia me ouvir, estava muito ocupado gritando com o sol. O sol está muito brilhante para se viver, dizia.

Acho que percebi que estou mais em paz do que penso que estou, ou do que tenho estado nos últimos anos. Há mais de uma qualidade zen sobre as coisas em mim, de certa forma. Você basicamente foi uma espécie de ser interessante em espaços contidos. O que se descobriu sobre si mesmo, apenas sendo lá, foi frágil, poderoso e suspenso nas lacunas. Eu quero pegar sua pele e então você poderá me sentir correndo por suas veias quando estiver caminhando.

Eu me segurei nas minhas coisas, tão amarrado. Eu quis tocar você, deixe-me continuar como se fossem bolhas de espuma ao sol, deixe-me permanecer nas mãos, corpo e pulso, lenços encardidos. Ponha as mãos nos meus bolsos de trás, retire os pequenos objetos mesmo sem o meu consentimento e coloque-os sobre a mesa – bolas e insetos que se arrastam. Seja gentil. Ainda tenho conseguido correr ao redor do quarteirão, vez ou outra, ver as pessoas novas e novas, novas e velhas, alguma canja de galinha, galanteios que fazem cócegas na cor azul e um xale velho xadrez.

E de cá, muita resposta vaga, pois eu não sei e não sei e me agarro a isso pois é preciso. Mas o sorriso me acontece.

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Porque tem dia que tem

Muitas pessoas pensam ou acreditam ou sabem que sentem – mas isso é pensar ou acreditar ou saber; não sentir. E talvez por se estar sentindo – não sabendo, nem acreditando ou pensando – apenas esteja triste. Um jogo paciente que não consigo achar meu jeito de jogar. É apenas uma questão de saber quando dizer não ou sim.

Deixe seus planetas colidirem, disponha-se a esta conversa. Se eu digo brilho é porque nada é tão fácil quanto usar palavras como se outra pessoa fosse. Todos nós fazemos exatamente isso quase o tempo todo – e sempre que o fazemos, não somos poetas. Este é um escurecimento da minha mente, se agora poderíamos estar estocando os últimos dez centavos ou planejando alguns crimes, poderíamos.

Eu conheço um lugar onde eu posso voar, criar peixinhos e talvez desenhar um plano, colecionar algumas xícaras sem par, cervejas.

Se você quer apreender o som não precisa de uma reserva, você deveria estar dormindo noite e dia naquela hora. Eu estou bem acordada, sentindo-me derrotada e é para para queimar algumas das sensações de ser solúvel, afinal de contas. E enquanto eu fiquei parada, senti um arrepio, pensei que talvez você também. Quisesse sentir isso como um caminho para um sempre incluído.

E é por isso que se você estiver olhando para mim, vou tentar aguentar o tranco.

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Sempre se faz sentir

Se eu perder você na rua, se eu perder você na rua à noite, venha aqui, volte. Sinta-se por fazer, quebre a cabeça, feche a porta de aço preto, quebre meu pente. Se levante, nas colinas altas eu não negocio, eu posso, posso andar com você?

Quanto tempo leva para deslizar de volta no tempo, quanto do tempo que muda e não muda, gravado no loop automático é necessário para…, talvez sejamos de ferro. Não faça barulho, tenha o tempo necessário para deslizar-se de volta, diga o que se diz costumeiramente. Para desfazer-se para trás, espere. As perguntas dizem que eu gosto de você, principalmente tarde da noite, talvez mais na pequena manhã. Mantenha-me apertada, segure firme, segure-me apertado como uma urdidura colorida.

Pois eu talvez goste de você principalmente no meio da tarde, quebre minha mente, faça chover no meu quarto, seja doce e sonolento. Eu voltarei a rebobinar, se eu voltar novamente, eu esqueci, não me lembro mais, ritmo e conhecimento, se eu retroceder, todas as cores de você desbotarão.

Olhando nos seus olhos, olhando nos seus olhos, eu posso me lembrar, nós podemos três vezes mais. Mantenha-nos juntos, mantenha-nos juntos. No tempo que corre para trás você pode ser eu, nadar os dias como televisão e videos cassete. O rosto pedra, palavra pedra, é tudo que eu deveria esperar de você? Esfregue-se rapidamente da poeira, é o novo passado que o mantém como se o novo passado te abraçasse.
Apenas lembre-se de contato, boom, contato, é o caminho, seu primeiro, seu último no tempo entre em contato, agite-o, não vá vagar em mim, não fique vago em mim.

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O lado mais bonito

Imediatamente em vários lados vê claramente na imagem refletida,  cujos traços faciais flutuam entre o susto repentino e o vazio ausente, uma vontade de vermelho. Uma cor que mais respira para você do que a vida. Ela parece envergonhada de sentir a energia que penetra no seu corpo flácido, entregue. Está prestes a avançar de muitas e variadas formas.

Qualquer um que não conheça apenas os frequentadores ocasionais daqueles becos, não se surpreende ao ver os desenhos orgânicos coloridos pregados nos postes. Os conflitos domésticos sempre formam o contexto. Quem regularmente transitava por aquele bairro, fazia as vestes de figuras longilíneas, dessas que se imagina que buscam sempre o que produz prazer e evitam o que é aversivo. Aos desavisados tudo seria desleixo ou formas personificadas de algum tipo de câncer social. Na maioria das biografias, a ausência apareceu apenas esquemática. Razão suficiente para que o romancista noturno encontre a estadia solitária no coração de uma multidão. Como foi chamada, 45 anos depois, a esquina Rei das Copas Brilhantes, de alguma forma consegue sempre tirar as coisas do lugar, num outro espaço tempo. Porque de vez em quando, ali era um lugar onde se perde a cabeça. Uma espécie de abandono, uma espécie de ausência. 

Todos os dias cruza com um homem vestido de armadura, que segura um copo, como se oferecesse a alguém na frente dele. Avante! Parece que encontrou o equilíbrio perfeito entre perseguir o seu imaginário e fazer o que é certo. Segue empobrecida para o temporariamente seu quarto gasto, sabe que algo em seu corpo deva ser removido, seja um dente ou outra parte, e será substituído por uma peça artificial. Incompletude, insuficiência, talvez remoção necessária para uma nova identidade.

Sem as barras delimitantes e as figuras que se confundem com a arquitetura, o visitante noturno e o famoso Cavaleiro Duvidoso se perderiam. Graças a quem segura os bulevares onde passam carros esportivos, lá se encontra momentos curtos de esquecer o trabalho para ser um artista de um século.

Desejo, fogo, pensamento, alegria – recita, apertando os dedos das mãos nos pequenos nós até doerem as articulações. Oração diária.

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A frieza do cotidiano

Às vezes, se precisa sair desse mundo e ser um pouco outro corpo. No grande acúmulo de poeira, eles mantêm os gestos nervosos guardados dia e noite por coelhos brancos enjaulados, maciez assustadora. Vamos gritar a necessidade de entender as razões que não são nossas, vamos assombrar e ficar com a cara para baixo em um pedaço colorido da úmida íris.

Sente-se, aproveite a nossa refeição étnica, coma em algumas feiras carroçadas e experimente uma medalha brilhante quando estiver em estado de sorriso no espelho. À medida que as câmeras clicam e fazem grandes negócios felizes, saiba que você acabará por governar as colinas: apenas roube um avião de combate.

Mas você está cansado, assim como um proletário. Pegue um ônibus sujo e mantenha-se limpo para a viagem. Recoste a cabeça no topo do sofá quando for já bem tarde, e tente se afastar esta noite. 

Estou me sentindo sem coração, estou me sentindo odiosa. Você se move como se eu quisesse consumi-lo com os olhos e água quente.

Hoje a noite, eu sinto o sentir mais, você respirou, então você parou, eu respirei, depois respirei você. E esta noite, hoje à noite, aquela noite, eu devo ignorar o bastante óbvio.

Esta noite será melhor tirar os sapatos e descascar alguns tomates.

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Deve ser um alívio sair sem ser fotografado

Quando eu vejo você tão céu quanto eu poderia imaginar, não da maneira que explode as nuvens, me faz querer tentar. Cada um de nós, com efeito, por pouco que se observe a própria consciência, quis desistir em algum momento. Bem, eu gosto de fazer viagens que estão fora do caminho, essas experiências de cinco estrelas em movimentos de várias intensidades, ora violentos e tumultuosos, ora calmos e regulares da nossa própria vontade. Às vezes o que sinto começa a se misturar com a realidade. De repente, há uma estranha linha borrada que desaparece e começa a cercar sua vida de uma maneira muito real e rara. Isso não aconteceu comigo muitas vezes.

Não quero caos, eu realmente quero ordem. Eu realmente quero isso muito bem, talvez uma nesga do éden, e sessenta e seis dias de prazo para que eu consiga criar um novo hábito.

Elementos próximos tendem a formar uma imagem única, tentemos enxergar o simples. Completemos instintivamente os abstratos espaços vazios para que sejam compreendidas pelo nosso olhar. Deficiente, eu posso estar bem sim. Eu acho que não é um bom dia para morrer hoje, sussurra. Você sabe que eu sinto vontade de voar, onde as estrelas brilham, eu espero que eu possa ser assim, querido.

É cada pequena coisa em seu lugar natural sim.

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Eu estava procurando uma saída

As coisas me afetam profundamente às vezes – muitas vezes.

Nesse sentido, as palavras expressam também incertezas, surpresas e algumas indignações. Tenta um caráter mais polido a algumas afirmações, e pensa que suas asas podem estar muito quebradiças, convidando a compreensão de uma perspectiva não tão demasiadamente humana, especialmente nesse agora quando.

Cometo um erro.

Eu vi um pedaço de luz aparecendo, de repente desprendida, um pouco antes do sol a sobrepor. Então eu comecei a olhar as coisas de maneira diferente, alimentada com poucas pílulas tranquilizantes de meias verdades. Não parecia com a lua, ficou melhor quando o tempo passou… Não sou tão difícil assim – e muita coisa foi a pressão que eu pude colocar em meus próprios ombros. E qual é o medo principal? Medo da morte. Não há nada a temer. Usando o lado positivo disso, há essa euforia do coração disparado para a vida, você sabe, eles dizem que a ansiedade é emoção em estado puro.

Então, se você respirar através dessa efervescência, torna-se uma ação forte, viva. Há muito que se pode fazer com isso. Não se pode legislar sobre como as outras pessoas vão reagir ou sobre o que elas deveriam refletir. E nunca se saberá o que fazer com essa memória, a espinha gela.

Não havia nada que eu pudesse dizer.

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Reboco

Ele também faz coisas (aparentemente) simples como atravessar a sala, apagar e acender luzes. É impossível separá-lo do que ele se lembra. Tem sido assim. “Quem conheceu o oceano? Nem você nem eu, com os sentidos terrestres, conhecemos a espuma e o aumento da maré.”

É perfeitamente possível – de fato, é longe de ser incomum – ir dormir uma noite ou acordar uma manhã depois de uma noite febril, e de supetão conhecer toda a verdade da vida e descobrir que o eu (um grande costurado com muito esforço) é todo trapos sujos. Há de se ter um trabalho de cautela. Quando se levantou já não chovia. Entre inalar e exalar, ou simplesmente caminhar através de um jardim, a data comemorativa desapareceu. De onde você é? A memória que é matéria-prima para se construir novamente, desalojada de algum recesso empoeirado – vinhetas e vislumbres de pessoas, tudo dizem e pouco dizem sobre a sua estrutura.

E os estados de ânimo – em uma extensão literalmente inimaginável, dependem de quão vívido o que um dia foi, mora na nossa mente. A insistência no que era habitual é um sentimento total, é combustível, faíscas e impulso. Mas nem sequer se pensa nisso na sala arejada e iluminada quando ele volta com o café coado, pães torrados e pasta de amendoim. Ele precisa se sentir em casa imediatamente. Controle e delicadeza nas ações e uma altivez no valor próprio.

Você não quer seguir? Ele pergunta.

Aceito o convite. O tempo parece também enterrado em nós, mas onde?

 

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Concha

Você afunda e abaixa a cabeça na roupa de cama… Você especula sobre o luxo de se esgotar toda a existência ali, um pouco. Como que em uma concha fofa, o conforto de se sentir bem, sem precisar mexer para nada, dura pouco, mas é bom. E o tempo todo consciente do calor delicioso, de como você sente você e você sente e novamente, novamente sente.  Esse pensamento acolhe e irá reunir uma multidão de outros a lançar sua tez durante a hora do seu despertar.

Quando minha cabeça está oprimida e um calor seco e febril irrita a pele e o sangue, de modo que cada toque e qualquer som pareça com um ferrão de escorpião agudo, imploro para que me levem à pedra primeira (ou qualquer outra) do sono. Lá deixa-me acordar das ondas e da fúria da brisa do alto. Essa brisa é cura e aleitamento, esfria a minha testa, acalma meu cérebro. Posso abrir os olhos e todo o resto parece estar quebrado, apenas uma pitada de queda no ar e a umidade toda levanta-se. E é como se alguém tivesse colocado um grande manto pesado em meus ombros. Não posso mais olhar onde a luz é mais brilhante, na fresta da cortina, que os olhos estão areia e a boca seca.

Você se encontra, por algumas horas, bem acordada nesse reino de ilusões e contempla as paisagens maravilhosas. Existe um entardecer na solidão das noites em claro e em tudo o que disser então. Todas as mulheres em mim estão cansadas. Apenas esperando o sol, apenas como seu cigarro queimado. Quanto à solidão – você nunca poderia saber o quanto do amor e da companhia diminuíram sob esse efeito.

[…]

Se você pudesse escolher uma hora de vigília fora da noite inteira, seria isso.

 

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“Na falta de uma melhor”

O político bêbado sapateia na rua onde as mães pretas choram seus filhos perdidos. E os salvadores estão profundamente adormecidos.

O contrário da coragem não é covardia, é o desânimo, ao menos em francês. Espero por você enquanto bebo em minha taça quebrada, e peça-me: abra o portão. Roía os nervos. São dois elementos masculinos, voltemos ao cavaleiro de espadas, converse com o porteiro. Não tenha medo de olhar pra ela, algum olhar. Não use seu poder e sua agressividade para realizar tal tarefa, elas podem te afastar das delicadezas afetivas, no que tudo isso realmente importaria. Se nos comportamos tão previsivelmente, onde está o livre arbítrio? As flores secas bem à sua frente revelam o quão desconcordado de seus sentimentos está. Ontem, seu filho dançava com seu traje chinês e suas galochas. Ele falou comigo, peguei sua flauta e dancei também.

As trombetas reluzentes prateadas dizem que você deveria recusar-me, bem vejo. Não precisa mais perguntar, tudo está dito, a dúvida é legítima e os gestos também. E a resposta é dada no momento em que se faz a própria pergunta, ou a pergunta de outrem. (Um jogo). Mas acima de tudo, não poderia chegar de mãos vazias. Você pensa como um chicote nas costas de um cavalo, estende até o limite em que o outro se quebre, tombe ou se dilua. Altero a voz, grito, engasgo. Saliva grossa, o que foi dito? Cadê a frase? Agora que a tem, o que fará com ela? Pouco importa agora, já a arquivei no sótão. Sem reclames.

A culpada suspira, cada célula daquele órgão solitário chora agora.

Se você acreditar, você pode se convencer. Tenho certeza que você pode convencer-se. Um dia poderei jogar meus remédios fora, quando finalmente perceber que não há do que se curar.

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Aguaceiro

Uma catástrofe em câmera  lenta e um dilúvio se anuncia. Música silenciosa. Segue e vai, ouve ao longe. No começo, a luz constrói texturas profundas e densas nas nuvens que pendem ominosamente acima das nossas cabeças, mas quase não provocam o ar parado. Alternar entre altitudes mais altas e baixas à medida que o desejo de capturar diferentes correntes seja intenso, e pode-se mudar sua direção final diante de um percurso que é constante.

As melodias estão ausentes, e isso resulta em música aberta.

Uma oferta deve ser considerada e se a improvisação não desencadeia o reflexo de um pequeno tremor em uma pessoa, apenas poderia ter sido uma vida, um passeio. Está longe de ser barulhento e imprudente, as vozes se calam no que nem precisaria ser dito se fôssemos fortes o suficiente para exercer a leitura para além das palavras bonitas por hora ditas. Imbuído de uma austeridade pensativa que nunca evitaria a beleza, o outro move-se onde não almejaria estar, talvez não naquele momento. Movediço presente.

A atmosfera está aberta, luminosa. Mas também é, inicialmente, um pouco pesada, com a aproximação da chuva. As gotas frescas chegarão a qualquer momento, e a jaqueta ficará encharcada dessa vez. Vapores leves e registros congestionados, um azul profundo e um cinza obstinado, oferecendo uma impressionante gama de tons. E um novo lote de arrepios força as pálpebras e lentamente escurecem a visão, enquanto o vento chicoteia o cabelo. É o movimento em sua quietude e a sensação de isolamento, de uma maneira mais profunda – de uma noite calma em vez de um quase-mudo-criado.

Não há nada para desordenar ou desbloquear o caminho do que poderia ser ter sido possível. A música é infinita e tão larga como o céu pálido. É possível sintonizar os sentidos, e por instantes desligar os canais ruidosos no aparelho de televisão da mente. É o primeiro passo, a transição da imprecisão para uma linha direta.

Nada está acontecendo. Tudo está acontecendo.

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Interior

Será que queremos então chegar em algum lugar? A gente se reconhece, mas ignoramos isso. Instinto de sobrevivência, ou vontade de permanecer na alegria. Uma necessidade, não uma possibilidade…

Atina para mais do que uma afeição, podemos estar todos perdidos. O corpo feminino obra, suficiente, é uma questão que se faz insistente. Deixe-me andar por esta estrada, insisto. Encontro você atrás da estação, me guie de volta pra casa, poderemos chegar tão longe, já avisto as luzes da cidade. Não voltemos agora.

Houve um tempo em que você me dizia segredos, ninguém sabia. Contava sobre o corpo,
que é calado, afetado, alterado, violentado, destituído, odiado, silenciado. Mas você estava com medo. Nós costumávamos fumar e assistir aos aviões pousando. Fazendo-nos graça, como política, como ato. Exercendo a posse sobre o próprio corpo. Coloque seus braços em volta de mim, olhe de perto minha pele, intenção.

Então não se engane, não se engane. É você bem ali, bem ali refletido no espelho.

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Tola

Uma ausência prenhe. Existe uma palavra em japonês para isso, Ma. Não sei se é. Essa é uma pergunta difícil. Perguntei esta pergunta e não sei qual é a resposta. Eu me sinto feliz por estar fazendo isso, sinto-me feliz em poder pensar sobre as coisas em que estou pensando e criar algo fora delas, mas não sei se eu vou melhorar por causa disso ou qualquer outra coisa. Ainda mais, de uma maneira estranha, não quero nada de exagerado e de certa forma, isso me parece quase puro e mais do que precioso.

Eu ainda sou a mesma pessoa. Mas é uma vida.

Talvez, nos vejamos – pode ser com algumas bebidas, taças na mão, ruas estreitas, passo lento. Quero planícies, luz completa do sol, ar fresco. Eu diria que eu sou muito incansável e estou sem medo. Precisa-se ter resistência e uma pele muito grossa. É difícil ouvir as pessoas explicarem uma e outra vez porque seus elementos não funcionam, porque eles não acreditam… É difícil ouvir “não” quando se está apenas tropeçando pela vida. O tempo todo.

Pode ser imperioso que se tenha o estômago necessário para assimilar o que ficou insustentável de se fingir, o que se (re)existe/iu. Se você acredita ou não em regras torna-se indiferente, o baile segue. Penso que provavelmente há exceções a tudo.  Onde estão as lágrimas de ontem à noite? Elas se sentariam ao meu lado em casa e isso seria real, de alguma forma. Ninguém mais poderia fazer isso por mim.

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