Lambe

À beira de uma determinada figura de mulher que desejaria ser, que raios! – ele estava certo.

A bela atenção e exploração sobre a origem de se abrir e admirar a realidade do outro, no outro, com o outro. Um gesto acidental fundamental para toda vida dar certo. Era, sempre foi, atribuída à falta, essa falha, esse vácuo. Mas ainda é um assunto delicado essa condição e sensação de estar se desagregando e se perdendo. Serve-se de chá, senta na banqueta na beira da pia, e tenta não pensar. Ou melhor, pensar sim, só que com o corpo inteiro.

Já é de madrugada e dali a poucas horas terá que acordar pra cumprir o dia. No escuro, anda no escuro. E quando for oportuno, começará devagar. Um toque feliz  naquele ponto das suas coxas a umedece. Os sentidos se esgueiram pela porta dos fundos da sua própria consciência. Um encontro afetivo. Com a devida honestidade poética, sabe que tentar desesperadamente uma coisa é muitas vezes uma forma de não a conquistá-la. Aperta os olhos. Prefere os arrepios das coxas. Lembra de molhados, de toques fortes, de vigor.

Experimenta, mesmo que de madrugada, mesmo que sozinha, mesmo que com frio, mesmo que apática, experimenta sentir seu próprio gosto.

 

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