Não queria perder o meu tempo sonhando

Não era assim na nossa época. Volte pra cama, amor. Na velhice se deve arder e delirar até o fim do dia. Temos que encarar a transcendência, vamos partir. Achava que estava preparada pra isso, mas a realidade é diferente. Achava que era muito pura. O peito ia e vinha, era altura aquela. Vontade de nascer e amar. Rasgar, com a coxa aberta e por fora a lisura. Queria escorregar. Dormi algumas vezes, você viu, preciso sentir o ar, vamos sair um pouco. Essa coisa perfeita, inteira. Tu não vê? Ando tentando fazê-las muito bonitas, muito bonitas. A gosma clara, ácida, asca, oco da Hilda. Quero que se sinta bem. Não sei o que me dá mais medo… Já tentamos isso mais de mil vezes, e só precisa funcionar uma. Cada coerência é uma tentativa de mostrar a própria lucidez.

Eu sei que você vive rondando a casa, sei bem, já o vi por entre os arbustos lá da frente. Há quanto tempo estamos aqui, já não sei. Já não sei. À tardinha daquele dia comeram peixes. Aqui sempre chove, e a busca do afeto é sempre possível.

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Nan Goldin, Empty Beds, Lexington, Massachusetts, 1979

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