Pulos

E havia desistido de ser anjo, ou anja. Ou santa. As asas estavam vermelhas já. Dentro do quarto, quis a nudez, sem blusa sem sutiã, sem calcinha. Estava úmida, sentia-a já nas pernas. A conversa a deixara quente por muitas horas. Um pouco mais, um pouco menos, sentia ser múltipla nessa vida, existia o corpo, mesmo que por muitas vezes preso às narrativas inventadas do dia a dia. Deu pequenos pulos de alegria, o vento frio coloca limites, pele arisca e arrepiada.

Às vezes tinha a sorte de ser lida no transe, nas estrelinhas púrpuras que sentia pular dos olhos. Decidiu há algum tempo procurar apaixonadamente suas narrativas que aceleravam o pulso; o céu estava claro e assim permaneceria, sentia. Gostaria dos pingos grossos que refrescassem a noite que chegaria aliviando a secura do ar. Tomou duas doses de cachaça (entorpecer é quase sempre maravilhoso) que conferia certa delicadeza dos movimentos.

Era bom e sabia que seria bom quando acontecesse. Pulos.

Amy Judy
Amy Judy
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