Frágil

Que a melancolia sempre assombra, escurece. Rouba o meio da noite, para sempre ou vez ou outra enternece, altera e seca aliviando um humor frágil. Queria era um jantar preparado. Foi-se toda a alegria e inspiração e uns rabiscos são tudo que tenho para mostrar, até ao romper da manhã. Procurar um traço de um beijo, um abraço. Às vezes conseguia fazer caminhadas ao amanhecer, o que pode um corpo? E isso fazia alegria. Muitos belos discursos, sugestões, documentos para o fim específico.

As almas se perdem sem reparações, pois as placas não falavam a verdade. No verão já estavam lá e ninguém lhes deu atenção, não levam a lugar algum. O que você mais se quer neste momento é apenas a lucidez da hora de seguir em frente, saber se está procurando a única coisa que vai trazer a não-ação (repetidamente). E agora eu quero ser um homem (ser um homem) homem vermelho, homem menstruando. Sempre tinha que ter mais.O limite de idade. Quem vai reparar minha alma? Não é de surpreender  as veias protuberantes em suas mãos, a pele mais seca, um caso clandestino. Às vezes só se quer desviar dos maus hábitos, como beber e fumar por exemplo, mas não é um momento para fazê-lo. Tentar uma leitura diferente. A boa sorte estará a caminho, esse não é um bom lugar de se estar.

Amanhã os braços abraçarão o vazio.

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Ingmar Bergman por Irving Penn

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