Carcomido homem

Estava num ponto de controle mental em que a qualidade deste momento é a  percepção da importância de que se conseguiria quase levar uma vida normal.

Desde sempre a conhecera. Percebia e elogiava sua retomada, seu auto controle. Da última vez que se encontraram sozinhos, via nos seus olhos cheio de pretensões uma inquietude, quase imperceptível.

Suas necessidades emocionais para estes dias assumiram até com ele, e sua face mais próxima do que era antes do estado de choque. Ainda não conseguia sorrir, uma ampliação de sua emotividade, tornando-lhe uma pessoa muito reativa e até sensível demais.

Ainda tinha palpitações e aqueles hábitos como puxar as pontas das cutículas causando aquelas pequenas inflamações nas unhas, mas sem dúvida havia na fina flor do pensamento uma visível recuperação de uma certa normalidade. Posso beijar seu pescoço? Já encostando, mas deixa subentendido, naquele lábio gosmento, delírios paranoicos com a barba. Sempre o mesmo, mastigado, carcomido homem. Passa um arrepio por todo o corpo, o gosto do vômito na boca.

Já quase se acostumara, e retoma a consciência da decadência deselegante e o apodrecimento. Um lapso no tempo, perdeu-se nessas memórias recuperadas. Arma branca, faca. Faca…Você se lembra de como é ser criança? Porque tudo está partido, repartido, fragmentado, inconsistente? Instante quase sempre inglório, o da lembrança.

O certo é que passava a voltar desses embates quase sempre da mesma forma. Murcha e palpitante. E sempre com alguma informação a mais.

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