Tudo começou há cerca de dez anos quando cada um de seus passos foram pensados nos mínimos detalhes. Ele confessou os crimes, não chorou, não se emocionou. Apenas narrou o que aconteceu e disse: não tomar decisões é um ato muito importante. Guardou o papel rabiscado junto da carteira de identidade mas com a música delicada ainda nos ouvidos (se percebia). Agia como que destinado a fazer coisas maravilhosas… uma cena simples do campo com fazenda vermelha, um céu azul, nuvens brancas, caminho sinuoso com flores amarelas sobre montes verdes… náusea. [Pode tomá-la sem medo, repetia baixinho, o medo mata – muito embora ninguém morra mais por causa disso]. Com evidente prazer pensava na mesma cena (flash. . . mesma cena cores diferentes, casa laranja, céu marrom, nuvens vermelhas…) querendo uma resposta satisfatória e evidente. Descortesas dessa vez. Não bastou uma aplicação de um produto rejuvenescedor no rosto  para que a autoestima destroçada se transformasse em amor próprio absoluto.

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