Paredes íntimas

Sentia que teria a responsabilidade de cuidar. Acariciar e confortar, talvez até acreditar. Enquanto a luz entra pelas janelas, outros mundos atiçam e o máximo de abertura do basculante, que a bem dizer é mínimo e sugere uma amplitude solar inesquecível. Mãos apertadas, nervoso no gesto habitual de torcer os dedos buscando uma versão de si com maior solidez.

Tivera muitos acidentes em carros, era já pra ter desistido desse meio de transporte – um desafio para seu auto controle. Um tempo finito no infinito de sua vontade. E que nenhum olhar desconhecido fora registrado naquele dia, mirando sua lente aleatoriamente a estabelecer qualquer contato.

A chuva pedia calma, os freios desistiram, o escorregar era lúdico, bom refino de ideias nas escolhas. Mais que apenas um sistema motor era preciso mesmo se concretizar na afeição. Filosofia desafiadora dos  retratos feitos de seu telefone para levar adiante o nosso projeto.

As pessoas se reconheceram nos objetos do quarto assim que entraram. Poucos quadros, alguns desenhos, cama desfeita. Quase gostariam de passar ali alguns dias, percebia-se. Sua adorável função. Será que a questão se resume a não ensaiados da vida? São mais bonitos os acasos quando o poder único da ação e da respiração entre as palavras resvala na vida. Em suas tarefas rotineiras desistiu de esperar.

Coisas no lugar, arejados nas gavetas, saudades em sacolas. Era boa hora aquela. E queria agir de acordo com ela.

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