Propósito na vida

De acordo com a família, ele foi visto pela última vez em Três Passos. Mas não estava lá e não havia chegado nos dias anteriores. As primeiras lembranças que tinha da infância eram de tentar acordá-lo sem conseguir, ele também não cooperava. Não era um jogo, mas era como se fosse. Agiam como se estivessem blefando, escondendo as cartas e os amores. Tentavam ser impassíveis. Supostamente não havia como reagir pois não era possível reconhecer uma pessoa que estaria  em vias de combate, arisca. Acabaram por se fechar as portas e reconhecerem o estado frágil  do excesso que desejamos. Lembrava dos chinelos com pregos, frases intuitivas, recompensadoras e sensíveis.

Se esquecera dos seus próprios limites, levantou e saiu. Desistiu da procura. Sem as múltiplas invenções da tecnologia, sem ser notado, de mãos dadas com os pensamentos. Pensava no domínio sobre os versos, coisas e pessoas. Mas havia limites, era o ano da realização pessoal então. Domingo atrapalhado esse.

Sentiu-se mais eufórico, a desistência alivia a tensão, os ombros caem, o sorriso acontece. Era tudo sobre gaiolas – as que a gente vive porque nasceu, porque escolheu.

Porque nem sabe. Pensa em pintar de branco sua sala e pendurar coisas no teto.

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Christina Malman, Woman Trying on a Fur Coat, 1939

 

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