Ventaneando

Só teriam um ao outro nas coisas íntimas, circunspeção, meditação e capacidade de espera. Ela estava era cansada de falar do óbvio, de sentir aquele embate novamente. Era batalha perdida. Olhava ao redor e via pobreza de vida, de ações. Tinha quem estava feliz em se entregar e odiava quem não.

‘É assim mesmo e sempre vai ser’, ‘esse povo tem o que merece’ era o que ouvia que mais entristecia. Não ter que ser bela era algum tipo de super poder naquela época. O pensamento, que produz opiniões…  vivemos sem saber de fato dizer o que é a diferença.

Faça fazer sentido por ali na esquina, rodando com os dedos duas ou três folhinhas, agachada no canto. Então um homem não pode simplesmente abrir uma porta e olhar? O mundo dos fatos reais. Porque nem devia pensar em avisar à pequena, tu és e pronto.

Talvez uma realidade mais sensível, mais difícil, menos precipitada, correria danada. O estado de sonolência a deixa bem. Porque a sede estava aplacada por esses dias, queria era dormir, querendo menos. Vontade de nada, mão no queixo, cabeça apoiada. Pose de ancestral. A respirar de forma menos profunda do que seria desejável, menos gases tóxicos, mais sutileza.

Há de se acostumar, vida sem água.

 

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Lucien Clergue, Bird fallen from the nest, 1955

 

 

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