As coisas que ainda enxergamos

A mulher engoliu sua raiva e firmou nos seus conceitos, não é fácil se transformar. – Eu sempre tento tirar os pensamentos maninhos do caminho, dizia. 

Penteava os cabelos na frente do espelho, com calma. Manhã fria, rosto triste, olheiras, rugas. Existe uma bonita vulnerabilidade na feiúra dos olhos opacos, na exaustão. Sentia uma espécie de abandono, uma espécie de ausência. Parece uma ausência, mas de fato, quando existe esse vazio, é que falta pouco para voltar a ser o que se era. Mas as mãos também são importantes para se manter com a cabeça fora da água. E então os lábios, a boca acompanham.

Carrego uma ratazana nos ombros, para não esquecer que mulheres se salvam sozinhas. Torço para que essa noite tenha companhia e que consiga me embalar com o cheiro cheio de outra pele. Penso em uma foto e eles têm os olhos fechados ou algo assim, e por um segundo, tudo me pareceu importar. O corpo todo coça, avermelha, grita. Você já viu tudo, exceto o que acontece quando você chama.

Eu não consigo ficar quieta, eu não consigo ficar quieta.

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