Para onde ela costumava ser

Não tinha mais nada a fazer. Sua arte (seu pecado) era ver tudo com beleza. Ficara ali naquele canto, imóvel, por tempo demais, chupando balas, roendo unhas. Para perder o apetite pelo que chamamos de pensar e deixar de fazer perguntas irrespondíveis –  foi-lhe dito.

Era uma forma que encontraram para lhe consertar, para lhe dar um jeito. A pessoa em quem mais tinha confiança foi justamente a mesma que arquitetou esse castigo. Para que não pensasse demais, para que não fosse demais, para que não desejasse demais. Suas idéias são apenas impasses, não interessa o quão importantes possam ser. (Não entendi…) Apenas deixe de ser um sabor amargo na boca.  Acha que está olhando para aquela página em branco por muito tempo, que pode produzir infinitos e incríveis desenhos, mesmo que fisicamente não sejam possíveis? Pode ser extremamente irritante até o ponto em que você pode querer gritar no travesseiro mais próximo (um travesseiro, por favor!).

Transformar-se na medida em que já se é. Ficamos sozinhos em tudo o que amamos.

Não abrir espaço para distrações (embora possa sonhar fora).

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Sophie Calle

 

 

 

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2 comentários em “Para onde ela costumava ser”

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