Um conhaque e uma cachaça

Agora é deixar de molho, posso entrar.

O som da torneira pingando, pardal longe, o perfume da casa e o silêncio do rádio. Coragem e os pés formigando presos no encosto de caixote. Por onde começar? Parcela de alvos, músculo e parede. Decide a parede, pedra maciça, olhar macio. Água fervendo no fogão, se atira no sofá e se permite uns minutos de letargia. Um gole de uma bebida forte agora cairia bem, levanta rapidamente, desliga o fogão (não haveria mais necessidade de ferver água) e abre o armário. Lá tinha um conhaque e uma cachaça. Escolhe pelo primeiro, serve-se dois dedos e volta para o sofá. Era o momento que se deixaria sonhar, desejar. Acho que vou escolher um bom vinil pra escutar. Ouvir um dos seus discos combinaria com a ocasião que ela mesma criou como presente para si. Billie Lady in Satin seria dramático demais. Tonny Bennet! Perfeito. O disco está novo, a melodia apaixonada a faz sorrir, e só então molha os lábios na bebida. Outro gole, dessa vez maior, desce queimando pela garganta, e lhe traz imediatamente um estado delicioso de relaxamento do corpo. Aquela história de vitória pessoal lhe trouxera pensamentos filosóficos sobre a vida e a morte. Somos todos acidente. Desabotoa o sutiã deixando seus peitos soltos, livrando-se do incômodo do fecho nas suas costas. Faz aquela manobra de tirá-lo pela manga. Pequenas gargalhadas. Agora sim, o segundo gole.

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Fanny Viguier

 

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