Essa mulher não vai morrer

A música ambiente próspera é nenhuma surpresa. Mesmo que a voz trema, a música pode oferecer o espaço santuário da rotina diária e a fita cassete ajuda a criar uma conexão física entre a música e o coração. Enquanto escuta o pulmão se enche de ar. A vida inteira é algo tão absurdo em nosso mundo pragmático, que normalmente é feita por aqueles determinados a viver em outro lugar, dito superior.

Mas não sou a mulher que vai morrer.

Assim, quando se trata desses rótulos discretos, etiquetas de fita, carimbos, tags, a gente carrega-os na testa. Dizem que quanto mais melhor. Não é bem assim, mesmo sendo a mulher que não irá morrer, não se tem garantias. Porque quanto mais cheios de intimidade, menos espaço para respirar e dizer, já que a fala tem menos valor social, e é constantemente relativizada, desvalorizada, caçoada… ‘Você fala demais, seu papo é meio chato, você é meio brava, né? Ahn, você também fala isso? Você deve ter lido isso em algum lugar, hahahahaha, não ligue, sou assim mesmo, faço graça de tudo, eu até ensino mulheres como se portar… se você relaxasse seria mais feliz. Mas foi você quem não entendeu o que eu disse, sempre assim, distorcem o que fazemos. Essa patrulha… já disse que você seria mais feliz se relaxasse? Porque a gente sabe o tanto e o como você deveria se sentir e se for revoltar, por favor, dentro de uma certa civilidade não é? Pelo menos isso. Nenhuma braveza é justificada, você gosta de brigar, né? Uma gracinha você alteradinha… porque a minha visão de fora do que acontece a você é suficiente e é precisa. Eu sei, você não poderia, porque azeda’. Às vezes a ficha custa a cair.

I don’t need to justify.

Ao menos os momentos mais particulares com a fitinha cassete nas mãos eram a escolha mais estressante entre o lado A ou B. Hoje, hoje e amanhã, não quero fazer força pra falar, pra ser ouvida ou pra ser levada à sério. Mesmo não sendo a mulher que vai morrer. Mesmo não sendo a mulher do fim do mundo. Ou a mulher com olhos roxos. Com um novo rótulo vem um novo som, determinado a mantê-la como livre, até guerreira se bobear. Se for possível. Não se canse nunca, mesmo que você não seja a mulher que vai morrer.

O lado A começa em território familiar: acordes pesados definem o tom e se espalham como tremores secundários na distância… o gosto ruim na pele, o cansaço, e as lágrimas que insistem a cair. Nem chegamos ao lado B.

Talvez não seja para o amor, embora não seja a mulher que vai morrer.

ben morris

Ben Morris

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