Rotina

Tudo parecia diferente, afinal. Coração pequeno, cabeça miúda pra pensar, braço dolorido. Estava ali pra fazer também perguntas tolas.

(Há tolice no amor?).

A gente não tem juízo para coisas de antigamente. Às vezes mais enfezada nos modos, enfezada nos sustos todos da vida. Que fosse sonho para se esperar e para sentir, uma coisa tão pouca de se querer. Tão pouco de se esperar. Queria ter grandes sortes. Havia de enfurecer. Pensara que havia algo dentro de si que a esperava, para quando sonhasse. E ela respondeu: que sejam por coisa nenhuma até que sentires coisa nenhuma. Que sossegasse. Mas o sossego durava coisa nenhuma de tempo.

Perguntaram-lhe: tens pressa? Ela disse sim, que era um jeito de dizer que tinha medo.

A secura de tudo. De todas as águas.

 

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Jacques Henri Lartigue

Triste, porém alegre.

Queria usar roupas vintage. E fazer as pazes com meus seios. E ser profundamente emocional e sensual. E ouvir música clássica contemporânea até que a arquitetura sonora entorpecesse. E ser em preto e branco. E ser perturbada e violenta na minha apatia. E não ser indiferente à tristeza e à pobreza. E ser audaz. E que o movimento seja um arrasto. E nua. E curtir links. E ser dolorosa. E que eu não tenha que escolher um final para mim. E estar alegre todo dia. E ser fotografada. E ser experiente. E inabalável. Quase uma pedra. Enfrentar com coragem e paciência. E ser fria e terrivelmente silenciosa. E ter cores de chumbo nas unhas. E beber alguma coisa qualquer e engolir minha chatice com biscoitos.

 

Quer dizer que a escolha foi sua?  Nevoeiros são muito comuns aqui.

 

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Francesca Woodman

 

Nos abstemos [de prejudicar]

Idolatrar a dúvida e caminhar no incerto, pode não ser uma janela aberta para o mundo como o velho sonho de tomar café acompanhado.  Fazer alguém se sentir especial – captou o sentido profundo quando estava para encontrar alguém. Faça surpresas, fale o que sente – a fraqueza surge apenas quando passamos realmente por momentos de dificuldade e posamos de orgulhosos.

Definiu os termos do interesse próprio, preservando-se a dignidade. Que absolutamente tudo vá ao extremo. Desde que voltemos nosso olhar em outra direção, optando pelo não ocultamento das razões. Abstermos-nos desse gesto, seria por interesse próprio, apesar de termos alguma razão.

Sentaram-se na cama, o  tão esperado café quente, frutas e pão. Comeram a refeição olhando a paisagem e buscando uma alternativa à preguiça. Um cigarrinho, outro… troca de olhares sem palavras.

Quando treinamos [nossas mentes] primeiro pensamos em nós mesmos. E o bem estar individual depende de todo o seu corpo, mais velho, desde então.  Está ali, sempre ao lado, vigiando – a cuidar do resto dos outros corpos para nosso bem.

Diferenças sempre existirão; mas isso pode ajudar. Se tomarmos o bem estar dos outros como base para nossa própria ética.

 

 

 

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