Sabe do que fala.

No quintal, um dos cães começou a latir no portão. Ela serviu-se de conhaque em seu copo e balançou a garrafa. Levantou-se da mesa e foi até o armário e apanhou uma outra. Magro, rígido. Um rosto escavado, olhos fundos. Modos sarcásticos. Ora cansado, ora ardente. Sempre generalizadamente ansioso. Era assim que o via. Exatamente assim. No momento em que você tende a se sentir mais segura e serena, é a hora que os cães ladram pra que não se esqueça que a calmaria é ilusão. Hoje em dia ninguém é capaz de compartilhar uma sensação com o outro. A noite, alguns cigarros e algumas bebidas funcionam bem pra clarear os pensamentos. Eu não sei como você chamaria isso, mas eu tenho certeza de que não chamaria de amor. Eu conseguia ouvir meu coração batendo. Eu conseguia ouvir o coração de todo mundo. Eu conseguia ouvir o ruído humano que os cães faziam, sentados lá em outros quintais. Nada de mim se movendo, nem mesmo quando a cozinha ficou escura. Suspirou, mas sem nenhuma vontade de acender as luzes. Amanheceu ali, na mesa da cozinha, um pouco bêbada e um bocado lúcida. Sentir o que se sente depois de uma noite assim. (Na verdade, era uma pessoa que não sabe o suficiente para prever (ou entender) seus pensamentos e ações). Então foi feito tudo o que podia ser feito e, nesse começo de manhã, estava dando pequenas risadas anunciando pequenas alegrias.

 

Conhaque

 

 

 

 

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